Aplicativos de supermercados aumentam durante a pandemia de Covid-19

Comodidade, facilidade e velocidade. Essas são as características que estabelecem a nova era do consumo diante da pandemia do novo coronavírus. Sem a chance de entrar em lojas físicas, milhares de pessoas migraram para as plataformas digitais. Por isso, os aplicativos de supermercados dispararam nesses últimos meses.

De acordo com levantamento feito pela ACI Worldwide em maio, as transações de varejo global no comércio eletrônico tiveram alta de 81%, quando comparadas ao mesmo período de 2019.

Enquanto a venda de produtos dos setores de esportes, utensílios domésticos e lazer lideram o ranking, outro tipo de nicho merece atenção: o de produtos essenciais. Com o clima de medo pela covid-19, os brasileiros passaram a adotar alternativas para receber os produtos em casa.

Os aplicativos do ramo se depararam com um boom no número de downloads e consequentemente, compras. O Shopper registrou mais de 55 mil cadastros em março, mês em que a pandemia foi anunciada no Brasil. Isso representou uma média de crescimento de 400% ao dia. “Para nós, a razão de o cliente optar por um meio digital, em vez da compra física, se dá pela facilidade e otimização do tempo”, declarou Fábio Rodas, CEO do Shopper.

O mesmo ocorreu com o app Supermercado Now. “Com a pandemia e todo mundo em casa, houve uma demanda muito grande por serviços online, de produtos de alta recorrência”, salientou Marco Zolet, CEO da empresa.

De acordo com Zolet, a média de vendas das semanas após o anúncio da chegada da Covid-19 ao país foi de 5 a 6 vezes maior em comparação às semanas pré-coronavírus.

As fases da necessidade

As prateleiras vazias foram um dos efeitos imediatos da propagação da pandemia no Brasil. O temor pela escassez de produtos básicos também afetou os aplicativos de supermercados.

aplicativos de supermercados
Foto: Visual Hunt

Guilherme Aere, CEO do aplicativo HomeRefill, diz que, nos primeiros dias da pandemia, os produtos de higiene básica foram os mais procurados — e de maneira exagerada —, porque as pessoas não sabiam quanto tempo teriam de ficar em quarentena. Produtos como álcool em gel, papel higiênico e lenços umedecidos foram as principais procuras.

“Fizemos em uma semana o que fazíamos em um mês e meio”, relembra. Desde então, o app registrou um crescimento de mais de 200% em novas ordens de “refill”, como são chamados os pedidos.

Situação dos aplicativos de supermercados após a pandemia

Para os fundadores dos aplicativos, a comodidade de comprar virtualmente veio para ficar.

“É claro que a pandemia forçou os consumidores a se adequar a hábitos restritivos”, diz Marco Zolet, do Supermercado Now. Ele afirma que, além da grande procura por parte do consumidor, houve um aumento de varejistas que queriam disponibilizar os produtos na plataforma. “A gente passou a crescer e abrir em mais cidades, aumentando a presença em novos locais.”

Os empreendedores reforçaram que existe uma tendência de manutenção de rotina e de gestão de tempo. O fundador da Shopper disse que, na área de supermercados, os brasileiros começaram a questionar o tempo perdido até o lugar, o deslocamento e as filas.

“Perdemos tempo procurando produtos e, muitas vezes, acabamos gastando mais do que o necessário, pois as promoções nos atraem a cada corredor e nos fazem levar coisas de que não precisamos de fato”, diz Rodas.

Portanto, o ajuste freqüente do cliente aos canais virtuais também impacta na maneira como eles se relacionam com as plataformas. Para o CEO da HomeRefill, tecnologias que tiverem um certo teor de inteligência ganharão destaque em meio às demais.

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